terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Pré Natal

Esta época que antecede o Natal lembra-me como sou feliz quando vejo a iluminação do Chiado na companhia de alguém especial, com o som da bota a roçar na calçada portuguesa e com calor da minha respiração a fazer vapor no cachecol enroscado no casaco quente desta estação.
Alegro-me quando encontro aquela prenda, fecho os olhos e imagino, na sua noite de Natal o abrir do embrulho e o rasgar de um sorriso na cara pois era mesmo aquilo que ela queria. Quando vejo uma árvore de Natal com uma estrela grande no topo lembro-me do meu pai, e na força dos seus braços quando pegava em mim ao colo e dizia " Os Reis Magos este ano vão chegar mais cedo" enquanto eu colocava a estrela feita por mim no pinheiro que ele tinha trazido naquele dia para casa. Cada vez que vejo um presépio arrepio-me porque é para mim o símbolo mais terno da família,
porque é para mim o Natal.
No dia de Natal, o meu bisâvo fazia anos era bom estar bem juntinho dos meus avós que geralmente tinham grandes histórias para contar.
As músicas do Natal lembram-me as festas da infantil porque nunca me passou pela cabeça que o velho barbudo daquele dia era a minha mãe ou o meu pai... ele era só o Pai Natal que com tanto trabalho ainda tinha amabilidade de vir à minha festa.
Fico sempre em silêncio quando se fala do Natal mas cá dentro escorrem estes pensamentos, estes e aqueles que me fazem ficar com as bochechas pesadas e sem magia, eu não digo que não gosto do Natal eu fico calada, ou então anuncio que temos uma relação estreita e que foi arrefecendo ao longo dos anos que passaram, hoje em dia faz muito frio no meu peito nesta altura. Ao pé do relógio apareceu um boneco de neve... será que o Natal vai chegar até NÓS?

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